A série “Contando sua história” faz parte das celebrações dos 60 anos da fábrica da GE Power Conversion no Brasil. São histórias das pessoas que contribuem para a jornada que transformou a unidade de Campinas em um centro de excelência no mercado de motores e geradores elétricos. Acompanhem!

Com mais de 23 anos de experiência no mundo corporativo, sendo 15 deles em Recursos Humanos, Fernando Zinato é referência em escuta e respeito ao próximo no comando da área de RH da GE Power Conversion Américas. Conversamos com esse mineiro de 41 anos que já liderou com muita dignidade o fechamento de uma fábrica história da GE no Canadá e, hoje, ajuda no desenvolvimento pessoal e profissional de seus colegas em toda a região das Américas.
Como o Fernando Zinato virou psicólogo?
R: Comecei a trabalhar muito cedo, aos 14 anos. Como filho único e com pais separados, havia essa necessidade moral de “participar” da casa, enquanto minha mãe atuava em dois empregos. A primeira função foi como office-boy, no Banco Mercantil do Brasil, onde fiquei sete anos e passei por várias funções. De alguma forma, sabia que aquilo não era meu propósito e precisava ir atrás de algo que fosse compatível à minha personalidade. Sempre fui percebido por pessoas próximas, como alguém maduro, muito talvez pelas responsabilidades que tive muito cedo. Eu era conhecido no meu círculo de amigos como uma pessoa paciente, equilibrada, razoável, com habilidade de ouvir ao próximo e o caminho natural acabou sendo o da Psicologia. Por isso, coloquei na cabeça que precisava fazer algo com essas habilidades. Comecei a faculdade, mas antes eu ainda tinha um desejo de fazer intercâmbio e conhecer o mundo. Londres foi o meu destino e, aos 22 anos, encarei essa nova etapa que deveria durar apenas um ano, mas que viraram dois. Passei por todo o processo novamente, atuando na limpeza e organização, barman, gerente de bar e depois de um ano já com algum domínio da língua, havia feito muitos amigos e, por meio deles, conheci diversas culturas. Após esses dois anos de aprendizado, voltei ao Brasil e à faculdade de Psicologia e incluí também o curso de Direito, aliando tudo isso aos estágios numa jornada diária de 14 horas que durou cerca de dois anos e meio, até que a GE apareceu na minha vida.
Como foi e o que mais marcou em trajetória na GE Power Conversion?
R: O começo foi em um estágio na área de Treinamento e Desenvolvimento, algo que achei interessante e encarei, dando início à minha história de 15 anos na GE, sempre pautada por entregas consistentes, aprendizado contínuo e constante aplicação do conhecimento. Nesse período, construí diversas experiências através de distintas responsabilidades, cidades, países e momentos pelos quais a GE passou, incluindo aquisições, integrações e até o fechamento de fábricas.
O negócio da Transportation foi meu ponto de partida, no qual passei cerca de cinco anos divididos entre as cidades de Belo Horizonte e São Paulo. Após esse período, com a aquisição da empresa Converteam pela GE e que hoje conhecida como GE Power Conversion, houve a decisão de construir uma nova fábrica em Betim (20km de BH) e, com ela, também se abre uma oportunidade de Gerente de RH para Supply Chain. Atuei como RH para a unidade, mas também como um Gestor de Projetos durante esta fase de integração entre os dois negócios, gerenciando a mudança do escritório de localidade, todo o esquemático de facilities, de transporte, de alimentação, de cultura de organização (passando de um prédio de escritórios para uma unidade fabril), relacionamento com o sindicato, negociação com fornecedores, entre outras funções. Toda esta vivência, fortaleceu minhas habilidades de gestão e me permitiram uma visão do negócio mais profunda, em um momento espetacular para a GE com a conquista de contratos importantes junto a Petrobras. No entanto, esse momento passou por uma virada abrupta com a crise do preço do barril de petróleo a nível global, ocasionando o cancelamento de muitos desses contratos e consequentemente, provocando um longo período de restruturações e demissões.
É no meio desse turbilhão que surge uma nova oportunidade dentro da GE, agora no exterior. Participei do processo seletivo, fui aprovado e no final de 2016 embarquei para ser o Líder de RH da GE Power Conversion Canadá. Tratava-se de um projeto de longo prazo, mas que acabou se tornando um projeto de curta duração quando o negócio, decide encerrar a operação daquela que era a segunda fábrica mais antiga da GE no mundo, localizada em uma área que pertencia ao Thomas Edison. Toda a cidade, com cerca de 80 mil habitantes, cresceu ao entorno dessa fábrica que chegou a ter 8 mil funcionários por volta dos anos 50, o que mostra a importância da unidade e do que viria pela frente. Encaro todo esse processo de fechamento, não apenas tratando do relacionamento com os funcionários impactados, mas com toda a comunidade e até a grande mídia com a presença intensa de importantes veículos de mídia como o Toronto Stars e a equipe do NY Times, na época. Isso fez com que todo esse período de quase 18 meses por lá fosse muito importante para operacionalizar todo esse processo do ponto de vista de estratégia, comunicação e execução. O aspecto mais importante, ao final de tudo, é que esse trabalho foi feito com muita dignidade pelos profissionais impactados, considerando o ser humano, preparando os profissionais impactados nos mais diversos aspectos, incluindo a realização de treinamentos e feiras de carreira que visavam a recolocação bem-sucedida destes profissionais. Suporte psicológico para líderes e empregados, assim como uma comunicação transparente e constante sobre o processo. Toda essa preocupação foi, para mim, um marco de reconhecimento para a contribuição do RH nesse projeto.
Após sua volta ao Brasil, na GE acompanhamos que fez consideráveis mudanças na cultura organizacional. Qual a importância desse período e de eventos como o Family Day, por exemplo, do ponto de vista de RH (Social)?
R: Depois de toda essa experiência única no Canadá, volto para o Brasil em 2018, como Líder de RH para o negócio de Power Conversion na América Latina, com o objetivo de auxiliar a liderança local em um movimento de transformação cultural. Foco em cuidado com as relações com os empregados, reformulação da estrutura organizacional e desenvolvimento de liderança. Permeados por um movimento global de turnaround, ou seja, de recuperação dos resultados operacionais e financeiros do negócio e que já começa a dar frutos, fizemos muitas mudanças organizacionais. Fomos disciplinados, transparentes e trabalhamos com humildes nesses quatro anos, ajudando a solidificar a América Latina como uma região de grande importância para GE Power Conversion. Em janeiro de 2021, assumi a responsabilidade adicional de liderar a estrutura de RH para o negócio cobrindo a região das Américas e, desde então, um trabalho intenso e de fortalecimento da cultural, das lideranças e de estratégia de atração e retenção de talentos vem sendo realizada. A formação de times de alta performance, com foco na entrega e na criação de um ambiente de inclusão e respeito são parte do grande propósito deste trabalho. Tudo isso para garantir o papel da região como protagonista nas entregas de PC em 2022 e para os próximos anos, que neste momento é responsável por aproximadamente 50% do volume do negócio em todo o mundo.

O Family Day, conceitualmente é um modelo de relacionamento com os colaboradores da GE já instituído há vários anos na região e que valorizo firmemente sua manutenção, pois entendo a empresa como a extensão do núcleo familiar. É aqui que mães, pais, filhos, irmãs e irmãos passam boa parte de seu, sob cuidados do nosso time de Saúde e Segurança, em ambientes de escritório, fábrica e de campo “externos”. Em um ambiente de alta competitividade, passamos por momentos de intensidade, que demandam a atenção, o engajamento e por vezes horas de dedicação. Considero então, as iniciativas como o “Family Day”, como um momento especial de agradecimento às famílias dos nossos colegas de trabalho, que permitem que seus entes queridos passem esse tempo conosco. Um momento muito especial onde celebramos e compartilhamos com eles as nossas conquistas e apresentando os espaços onde trabalhamos. Durante a pandemia conseguimos manter essa ação, de uma forma mais criativa (virtual) e, agora, voltaremos no formato presencial com todos reunidos. Estamos preparando estes encontros para todas as nossas unidades de PC onde temos presença na região das Américas.
Você é grande fã do escritor José Saramago que tem uma frase bastante famosa: “Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo!”. Você usa esse pensamento no seu dia a dia?
R: Sim, sou fã do Saramago e me inspiro muito em sua sabedoria, aqui precisamente em uma de suas frases que gosto muito e que tão impactante. Sou o marido da Alyne e pai do Pedro, de três aninhos, acontecimento dos mais importantes da minha vida e considero os meus hobbies, em sua maioria ligados à prática de esportes (tênis, squash e corrida — os do momento), como fundamentais para que eu encontre esse equilíbrio sugerido por Saramago. É no esporte que organizado meus pensamentos e que me planejo, além, da leitura de outras literaturas. A razoabilidade em tudo que se faz, a perspectiva, a empatia, o respeito, tudo isso está representado nessa frase. Na vida, hoje, não temos tempo a perder, mas isso não significa deixar de lado nossos princípios e valores. Achar equilíbrio nas tomadas de decisão em ambientes de complexidade, é uma das grandes virtudes do ser humano e é aqui, que tenho nesta frase uma importante representatividade para mim.
Como a cultura corporativa irá impactar no futuro do trabalho?
R: Durantes décadas, o modelo de cultura corporativa foi impositivo. Assim somos e assim seremos. Se quiser, venha conosco. Hoje, a cultura corporativa é de uma construção mais colaborativa com uma visão sociocultural que quando abraçada, faça com que essa cultura seja compartilhada. Sinto que algumas organizações e aqui incluio a GE, têm um olhar muito sensível para essas transformações socioculturais de momento e de futuro, para se adaptar. Não é uma trajetória fácil, pois exige um exercício diário de reconstrução. Falamos de um aprendizado constante, a fim de assegurarmos um ambiente de inclusão, de respeito, de senso de pertencimento, no qual as pessoas não venham simplesmente ser parte do que já existe, mas que contribuam com a evolução deste ambiente, respeitando valores individuais e os agregando aos valores corporativos. Preparar a organização para o futuro é ter um diálogo constante com a sociedade e com a evolução sociocultural ao seu redor.

O que você gostaria de deixar de mensagem hoje para a nova geração?
R: Pergunta difícil! Mas imagino que tantos de nós tenham tantos sonhos, tantos desejos na vida, e em boa parte das situações, as pessoas observam bens, cargos e títulos os atributos de responsabilidade por representar este patamar de “sucesso”. É importante lembrarmos que sucesso, tem de ser algo definido por nós, individualmente e da forma como o entendemos. Só isso! O crescimento profissional, com a ascensão vertical, acomodação de cargos e/ou níveis hierárquicos não asseguram, o preenchimento dos níveis de satisfação do indivíduo, caso eles não tenham consciência daquilo o que a palavra sucesso realmente significa para ele. Há aqueles que desejam virar a(o) CEO, trabalhar horas a fio para ganhar seu primeiro milhão, mas outros que desejam ter tempo de qualidade para acompanhar o crescimento dos filhos ou estar ao lado de seus avós na última etapa da vida deles, ou seja, não há uma receita, viva intensamente, nunca desista dos seus desejos, atue com respeito e integridade.