A série “Contando sua história” faz parte das celebrações dos 60 anos da fábrica da GE Power Conversion no Brasil. São histórias das pessoas que contribuem para a jornada que transformou a unidade de Campinas em um centro de excelência no mercado de motores e geradores elétricos. Acompanhem!

POLIANA CASAL, A PRIMEIRA CFO (CHIEF OF FINANCIAL OFFICER) MULHER DA GE POWER CONVERSION
A atual CFO da GE Power Conversion na América Latina, Poliana Casal, precisou de duas tentativas para garantir seu lugar no programa de trainees da GE, ainda no início da carreira, mas hoje colhe os frutos de sua resiliência como a primeira mulher da história da GE Campinas a assumir a posição de CFO. Conversamos com a mineira, mãe de duas meninas e esposa do Guilherme, que adora usar o Excel para controlar as finanças não apenas da GE, mas de toda família, e deseja inspirar mulheres que sonham com um lugar de liderança.
Qual é a história da Poliana na GE?
R: Comecei na GE como terceirizada, ainda na área de Comércio Exterior, segmento pelo qual me formei pela PUC-MG. Mesmo com essa formação, sempre fui muito analítica e me dei bem com área de Exatas, inclusive brincava de mexer em planilhas de Excel. Estando na GE, tinha muita análise financeira, muitos números para lidar e quando surgiu uma vaga interna para analista financeira, participei da seleção, fui escolhida e comecei minha vida no meio das finanças, pelo qual me apaixonei.
Como GE, pude conhecer os já famosos programas de trainee da empresa, meu sentimento foi muito forte e coloquei na cabeça que iria fazer parte dele. O pior é que não passei, na primeira vez que me candidatei e aquilo me deixou arrasada, mas ao mesmo tempo me deu forças para continuar. Tinha mais uma chance e me preparei por um ano para não falhar uma segunda vez, inclusive pedindo ajuda para meus superiores, para desenvolver mais minha postura e poder me apresentar como eu esperava.
Finalmente, passei no FMP (Financial Management Program) e fiquei dois anos como trainee da área financeira, passando vários negócios da GE no Brasil, parte da rotação, além de ter ido a Porto Rico, algo que marcou profundamente, pois literalmente estive no olho do furacão por lá, mas sem maiores danos, ou não estaria aqui hoje falando com vocês (risos). Como trainee, tive meu primeiro contato com a fábrica de Campinas, fiz uma rotação na área de Custos e passei 6 meses na fábrica.
Depois também pude fazer parte do CAS- Corporate Audit Staff, programa de aceleração de carreira de líderes, focado em auditoria/consultoria, no qual permaneci mais dois anos, podendo viajar o mundo e me conhecer melhor como profissional e pessoa, algo que considero um divisor de águas na minha trajetória profissional. Em 2014 o CAS me proporcionou estar pela segunda vez em Campinas, tive a oportunidade de auditar o negócio e rever as pessoas que conheci e que me ajudaram quando estive como trainee em 2010.
No meio do programa, conheci meu marido, casei e isso me levou a voltar para a GE no Brasil como, gerente de FP&A, em 2014, minha primeira função oficial na GE, em Betim-Minas Gerais, aqui, na Power Conversion, onde estou até hoje. Em 2016, fiquei grávida da minha primeira filha e após a licença maternidade, voltei numa nova função, na liderança de projetos, como Gerente financeira de projetos da América Latina, atuando também na GE Power Conversion.
Já em 2018, a experiência não foi tão prazerosa, pois precisamos fechar a fábrica de Betim, algo que marcou muito, mas que me fez seguir em frente. Fui gerente Financeira dos sites de Sistemas (Betim e Chile) por mais dois anos, até o nascimento da minha segunda filha, em 2019. Mesmo grávida, havia conversas para que assumisse a gestão na fábrica de Campinas, e mesmo no meio de uma pandemia, aceitei o desafio para liderar como gerente financeira. Tem algo que chama a atenção e que me faz ser apaixonada pela fábrica, passar pela aquela emoção de ver o produto sendo transformado.

Foi assim que em julho de 2020 vim para São Paulo com meu marido e minhas duas filhas, sem conhecer ninguém, mas com o espírito de vencer, mais uma vez. Desde então, ainda exerci a função de gerente financeira do segmento de Motores para as Américas e, finalmente, no meio de 2022 assumi como a Chief of Financial Officer (CFO) para a América Latina, sendo a primeira mulher a assumir essa posição em 60 anos de história da GE Power Conversion.
Quais foram os principais desafios que você enfrentou nesse período todo de GE, até chegar aonde está hoje?
R: Quando saí da auditoria em 2014 e fui atuar diretamente no business, sentia muito receio das pessoas em falar comigo, não apenas pelo ambiente que vinha de uma aquisição, com pessoas vindas de outra empresa e outra cultura corporativa, mas por ter assumido uma função importante como FP&A, ainda mais sendo mulher. Escutei algumas vezes coisas como ‘o que essa menininha está fazendo aqui?’, mas esse tipo de comentário, apesar de ser ruim de escutar e provocar um sentimento de culpa, no início, nunca me impediram de seguir em frente e entregar o meu trabalho.
O site de Campinas é complexo, pois produzimos equipamentos complexos e esse desafio, essa aventura e essa adrenalina diária me ajudam a querer me superar cada vez mais, desenvolvendo times de alta excelência, tornando minhas metas ainda mais desafiadoras.
Você é umas das personagens e coautora do livro “Mulheres nas Finanças”, lançado em novembro de 2021. Como foi fazer parte deste projeto?
É uma história curiosa, pois fui chamada por um recrutador por meio do LinkedIn, que estava procurando personagens para um projeto de um livro focado em mulheres nas finanças. Resolvi conversar com a Andreia Roma, editora do livro e que possui uma história de vida fantástica, e consegui me apaixonar pela ideia também, pois tenho como projeto pessoal e de carreira encorajar as mulheres para que elas ocupem posições de destaque em suas áreas.
Por isso, decidi contar minha história nessa obra, ao lado de outras mulheres maravilhosas e inspirar todo mundo que ler. É muito importante que as mulheres enfrentem os obstáculos, tenham voz e possam conquistar tudo que almejam. Eu confesso que não era assim no começo, mas fui aprendendo, ao longo do caminho, e queria passar essa mensagem de nunca desistir, mesmo quando as coisas não dão certo, como não deram para mim no meu início de carreira na GE.

Além do livro, você participa de outras iniciativas para exaltar a presença feminina em um campo que ainda é muito masculino: o chão de fábrica! Conte para nós como é este projeto?
Participo do grupo de afinidade para mulheres da GE, o Women’s Network, há mais ou menos 10 anos, desde a época que atuava como auditoria. Sou uma das “sponsors” do grupo e pela experiência adquirida nesses anos, posso ajudar ainda mais como uma espécie de guia para as mulheres em diversos assuntos e temas. Gosto muito de incentivar minhas colegas a participar de processos seletivos, se candidatar a vagas que ainda são tidas como masculinas, além de trazer essa mesma discussão e reflexão para os gerentes e líderes do negócio. ‘Por que você não chama uma mulher essa para vaga?’ Todas as vagas que são abertas, hoje, em Campinas, possuem uma meta de entrevistas com mulheres, além de pessoas diversas, negras, LGBTQIA+ etc. Meu time é muito diverso e isso contribui de uma forma diferente, pois as visões não são as mesmas e essa discussão sempre traz resultados melhores. Quero tirar esse pensamento de inferioridade que as mulheres têm e sofrem, por conta da sociedade que vivemos e acredito que estamos fazendo nossa parte em Campinas.
Hoje, você está como a primeira CFO mulher da planta de Campinas, o que isso representa para você?
Confesso que nunca havia pensado muito nisso e nem sabia desse fato, ou seja, de ser a primeira mulher a ocupar essa função. Sempre me considero uma igual aos meus colegas, mesmo sendo a única mulher numa sala de reunião, foco apenas naquilo que posso contribuir para entregar os resultados, as estratégias etc. Contudo, hoje, entendo a representatividade de estar nesse cargo e poder servir como um exemplo, um incentivo para outras mulheres que almejam uma posição onde elas quiserem.
Você também é uma boa administradora da sua vida financeira e da sua família?
Pior que sou sim, extremamente controlada e levo para dentro de casa, passando essa qualidade até para o meu marido. O Excel que eu já brincava quando adolescente, hoje, é um fiel companheiro no controle de todas as finanças da família. Esse controle meu ajudou muito quando eu era estagiária e pagava para trabalhar, por conta das despesas que tinha na época, mas usei a ferramenta para controlar isso e nunca mais fiquei em débito. Coloco tudo ali e uso os resultados para guiar nas decisões, férias, escola para as meninas e nossas viagens também. Até minha filha mais velha já começa a demonstrar o gosto pela área de Exatas e já consigo passar a ela, por meio de apps ou jogos, essa responsabilidade de controle das finanças, no caso dela em joguinhos mesmo (risos).
Como fazer com que mulheres consigam prosperar mais e alcançar cargos de liderança na área financeira, como CFO?
Algo que sempre fiz, em toda minha carreira, é buscar a minha melhor versão, independentemente do trabalho, cargo, ambiente. Quero sempre me entregar 100% em tudo que eu faço, mesmo sabendo que algo pode não dar certo. De qualquer forma, se eu cair, levanto e me recupero rápido, sempre com a humildade para aprender todos os dias com meus colegas. Também tenho muita vontade de ensinar, pois é incrível como podemos aprender ao ensinar. Outra característica que não pode faltar é garra para crescer e não desistir. Se colocarem uma pedra no seu caminho, a melhor maneira é usá-la para crescer. Meu nome, Poliana, vem da famosa personagem do livro que é uma eterna otimista, o que eu sou, mas sendo bastante realista, ao mesmo tempo. É essencial tirar uma lição daquilo que não deu certo e seguir em frente, aceitando desafios e crescendo, tanto na carreira quanto na vida. Hoje, vejo que estou nessa posição por conta das escolhas que fiz em toda minha carreira, e entendo que estou colhendo os frutos dessas decisões.
